Achei interessante um post de uma página sobre baseball, no Instagram, tratando da psicologia no esporte. O título da chamada era assim (tradução livre): "O beisebol é o único jogo que vai mostrar como você fala consigo mesmo" (Baseball is the only game that will expose how you talk to yourself). Achei um pouco exagerada a frase, pois certamente existem outras modalidades nas quais isso acontece - como o golf, por exemplo -, mas, de qualquer modo, a frase é bem verdadeira. Realmente, no baseball você está em constante luta com você mesmo. Quando o jogador está em uma fase ruim, existem os companheiros de time e o técnico para trocar ideia e desabafar, mas quando ele entra no batter box para enfrentar o arremessador, está totalmente sozinho. Nessa situação, a mente começa a trabalhar - e aí, tudo o que acontece depende de como você "se relaciona" com ela: ou essa relação te eleva, ou te derruba!
O baseball é um esporte difícil de ser jogado, exigindo muitas habilidades e vigor físico. Por exemplo, um rebatedor que consegue três boas rebatidas em dez vezes que vai rebater é considerado excepcional. Veja bem: com apenas 30% de sucesso nas rebatidas é considerado diferenciado, acima da média! Ou seja, o esporte é muito desafiador e tem uma característica de ser muito introspectivo em muitos momentos! Aí o post desenvolve algumas ideias bem interessantes, que relacionam essa dificuldade com o status mental de um jogador:
- Ao entrar no batter box, o rebatedor fica sozinho com seus pensamentos, sem nenhum outro companheiro de time que possa ajudar.
- Ao não conseguir um bom resultado ao tentar rebater, o rebatedor deixa transparecer como lida com seus erros e suas falhas.
- Sua mente e seu corpo estão diretamente ligados na hora de uma rebatida; não há nenhuma separação entre pensamento e execução da jogada.
- Consegue se dar melhor quem consegue "apagar" o que aconteceu de ruim há instantes atrás; aquele que não fica remoendo erros de defesa ou más rebatidas.
- Ficar fissurado em buscar o swing perfeito é, na verdade, um medo disfarçado; buscar perfeccionismo não vai ajudar.
- A confiança é essencial e não vem de "fora", como, por exemplo, de uma conversa em que o técnico te faz elogios; a confiança vem após dias e dias de treino, de busca incessante pelo aperfeiçoamento.
- Você muda de postura de acordo com a maneira com que você conversa consigo mesmo - você vai rebater de um jeito e volta de outro, completamente diferente; você se transforma como jogador dependendo de como pensa, como lida com os acontecimentos, como você fala consigo mesmo quando ninguém está por perto.
- O baseball mostra que os resultados dependem do seu mindset (ou seja, a mentalidade, a forma como uma pessoa pensa e interpreta situações), exatamente assim como acontece na vida.
Como disse, esse assunto eu vi em um post de uma página de Instagram e, nos comentários, uma pessoa citou o livro "The Mental Keys to Hitting", de H. A. Dorfman.
Ainda não li e vou atrás dele, mas, em pesquisa, vi que trata justamente da parte mental do rebatedor, como se fosse um manual de "psicologia do rebatedor". O sumário já mostra bem a filosofia do livro:
1. "See the ball" - veja a bola: o ponto de partida de tudo. O rebatedor não deve ficar pensando em mecânica, resultado, média, etc. A tarefa é ver a bola e reagir ao que está acontecendo.
2. Agressividade sob controle: ser agressivo não significa sair tentando rebater qualquer coisa. O rebatedor precisa ter uma postura agressiva dentro de um plano. É aquela diferença entre “Quero bater forte nessa bola” e “Estou preparado para atacar a bola certa”.
3. Não viver pelas expectativas dos outros: estabelecer seus próprios objetivos, em vez de tentar satisfazer expectativas externas. Isso é particularmente importante no baseball porque o resultado é cruel: mesmo fazendo tudo corretamente, você pode sair 0 de 4.
4. Self-coaching — ser seu próprio treinador: durante uma partida, o jogador precisa conseguir fazer ajustes sozinho. Não pode depender o tempo inteiro do técnico para dizer o que está errado. O conceito é: aconteceu alguma coisa → observe → interprete → faça o ajuste → siga em frente.
5. Self-talk — conversa interna: Dorfman dedica um capítulo inteiro ao diálogo interno - aquilo que o jogador fala para si mesmo. A ideia não é ficar repetindo frases motivacionais vazias. É utilizar pensamentos que ajudem a executar a tarefa. Em vez de “Não posso ser eliminado por strikeout”, algo como "Veja a bola. Fique equilibrado. Ataque”.
6. Concentração na tarefa: concentrar-se no que está sob seu controle naquele momento. O rebatedor não controla o resultado. Não controla o juiz. Não controla o arremesso depois que ele sai da mão do pitcher. Não controla se o defensor fará uma grande jogada. Ele controla sua preparação, sua abordagem e sua reação.
7. Rotina não é superstição - o livro diferencia rotina de superstição. Uma rotina serve para colocar o jogador no estado mental adequado. A superstição, ao contrário, pode fazer o jogador acreditar que precisa realizar determinada coisa para que o resultado aconteça.
8. Relaxamento - Dorfman também insiste na relação entre mente e corpo: uma mente tensa produz um corpo tenso. Para um rebatedor, isso é fundamental. Você precisa estar preparado e agressivo, mas não rígido.
9. Approach → Result → Response
Approach (abordagem) → o que você pretendia fazer.
Result (resultado) → o que efetivamente aconteceu.
Response (resposta) → como você reage ao resultado.
O ponto é que você controla principalmente a abordagem e a resposta, não o resultado. Você pode fazer um excelente swing e acertar uma line drive diretamente no defensor. O resultado foi ruim. Mas sua abordagem pode ter sido excelente - e sua resposta deveria ser continuar preparado para a próxima oportunidade.
10. Confiança e capacidade: a confiança não deveria depender de estar constantemente conseguindo hits. O jogador precisa confiar na sua capacidade de executar, inclusive quando o resultado não aparece.

Nenhum comentário:
Postar um comentário